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Quando chegará ao fim essa guerra contra o Covid-19?

Por urandionline

Quem pode me dizer quando chegará ao fim essa guerra contra o Covid-19? Imagino que ninguém sabe a data certa. Isso, por si só, já é motivo de preocupação para todos nós, talvez um pouco menos para quem já está rodeando os 70 anos de vida e, até por isso, não tem grandes projetos para o futuro. Eu vou confessar: tenho medo do que virá pela ai após o fim dessa guerra. O pós guerra sempre foi muito difícil para a grande maioria da sociedade, o que mostra a história dos conflitos. Quando ouço alguém afirmando não ter “medo de nada” não sei até que ponto esse alguém tem consciência do tamanho das dificuldades com que se defrontará a sociedade, especialmente aquela parte mais fragilizada, mais pobre. O flagelo que estamos vivendo conseguiu desorganizar a vida de toda a população, não só no Brasil, mas no mundo.

O isolamento social nos colocou diante de incertezas enormes, mostrou mais uma vez a imprevisibilidade da vida, trouxe medo e incertezas em relação ao futuro com as mudanças na configuração das relações sociais. Certamente grande parte das pessoas de hoje (especialmente as mais pobres) já estão enfrentando transtornos de depressão, ansiedade e outros conflitos que acabam em disfuncionalidades nos lares. Os índices que medem o grau de violência doméstica divulgados recentemente demonstram claramente que isso está acontecendo.

Não ter medo de nada é com certeza um boa sensação mas é melhor ter precaução com o que virá em seguida à pandemia. Será com certeza uma aventura perigosa que poderá machucar muita gente para sempre, especialmente se as instituições da República não recuperarem a credibilidade, e os políticos idem. E enquanto não tivermos motivos para acreditar que as nossas instituições voltarão a ser republicanas, cada uma cumprindo o seu papel sem invadir competências de outras então continuaremos sofrendo as pressões psíquicas pelo medo da corrupção na política, nas instituições públicas e privadas, gerando desemprego e mais mazelas sociais ampliadas.

As mulheres, explicam estudiosos do assunto,  são quem mais sofrem com a sobrecarga psicológica, pois os índices de ansiedade entre as mulheres configuravam-se em altas taxas mesmo antes da pandemia. O atual cenário estimula o esse aumento, pois na maioria das famílias as mulheres tendem a acumular diferentes atividades e maior senso de responsabilidade e cuidados quando comparados aos homens.

O confinamento no Brasil começou em 20 de março. O abalo psicológico veio logo depois quando muito mais do que a preocupação em não se contaminar, as famílias também passaram a perceber os entraves que tinham para garantir a estabilidade da condição financeira da família tendo de “ficar em casa”. As possibilidades de um aumento significativo dos índices de ansiedade sentidos pela população, poderá gerar problemas mais graves em parte da população nos momentos posteriores a pandemia.

A pandemia da covid-19 tem promovido uma grande transição em nossa sociedade, um caminho sem volta, ou seja, não voltaremos a viver como antes e precisaremos desenvolver estratégias para avançarmos rumo ao futuro, com o novo normal, buscando equilibrar nossas ansiedades. O enclausuramento está relaxado em muitas cidades do Brasil, inclusive na Bahia.Mesmo diante dessa constatação é fácil notar que estamos muito longe da interação social que vivíamos até princípio desse ano de 2020 pelas relações presenciais.

Não temos ainda as escolas funcionando como deveriam, as igrejas, os clubes de futebol, etc, etc. Isso é mesmo um martírio. Os  seres humanos ainda precisam de interação social, por meio de relações humanas presenciais, pois nos desenvolvemos como pessoas acostumadas com a escolha em sair de casa quando assim desejássemos. Desta forma, com a falta de movimento das escolhas, estimula-se a tendência em desenvolver uma melancolia, devido à situação ser vivenciada de maneira forçada.

O pior de tudo é perceber que vivemos em plena crise da fé. Uma constatação palpável é a progressiva perda da fé. Hoje, os meios de comunicação tornam públicas e universais notícias, afirmações e desmistificações que antes eram sonegadas para as multidões. Sem a fé, instituições, governos, seitas, agrupamentos, partidos, não têm como manter coesos seus seguidores. O Nazismo, com sua crença na superioridade ariana fanatizou um povo, teoricamente imune, pela sua cultura, àquela barbárie. Na guerra que provocou, a besta-fera andou solta de ambos os lados, deixando os sensatos em dúvida quanto à sanidade humana.

Atualmente, democracia é apregoada como o melhor sistema para manter um povo feliz. Mas sua sobrevivência depende de fé. O império romano caiu quando a corrupção fez o povo perder a fé em seus imperadores e deuses. Nossa democracia está correndo o mesmo risco. Uma corrupção avassaladora está difícil de debelar. Ela corrói sua credibilidade e provoca a perda da fé na representação popular. Oxalá o atual vírus diminua aqueles que estão prejudicando há muito tempo nosso país.

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