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Roda de conversa e abertura de exposição marcam Dia do Cigano

Por urandionline
O Dia Nacional do Cigano, comemorado nesta sexta-feira (24), foi marcado por uma roda de conversa entre lideranças ciganas e pesquisadores do assunto no Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), no Largo do Pelourinho, em Salvador. O público esclareceu dúvidas e se informou melhor sobre as tradições do povo cigano na Bahia.
A programação faz parte do projeto ‘Cultura Cigana em Foco’, conjunto de ações promovidas pelo CCPI para dar maior visibilidade ao tema. Entre elas, a exposição ‘A Indumentária da Mulher Cigana’ exibe vestidos, jóias, enfeites, calçados e objetos utilizados pelas ciganas em festas e no dia a dia. A mostra segue até 30 de maio, das 9h às 12h e das 14h às 17h, no CCPI.
Ainda estão previstas visitas a acampamentos ciganos em Camaçari e Dias D’ Ávila. “Isso compõe uma parte do processo que nós temos aqui no CCPI, que é a ideia de mapear todos os povos ciganos no estado da Bahia. Para que, até o fim do ano, a gente tenha a relação de indicadores desses povos”, explicou o diretor do CCPI, André Reis.
De acordo com a historiadora e pesquisadora dos povos ciganos Cassi Coutinho, esse grupo tem origem na Índia, de onde saiu e caminhou por todo mundo, se concentrando especialmente na Europa. Eles se dividem em três etnias: Rom, Sinti e Calon, com maior presença desta última no nordeste do Brasil, pois vieram das regiões de Portugal e Espanha. Há registros de envio do primeiro cigano de Portugal para o Brasil entre os anos de 1562 e 1574.
A Bahia é o segundo estado com maior concentração de ciganos no país, perdendo apenas para Minas Gerais, segundo dados do IBGE de 2011. “Em Camaçari, nós temos uma rua cigana. Em Jacobina, tem um bairro. Além de outros municípios”, relatou a pesquisadora.
Combate ao preconceito 
Cassi comentou também sobre o preconceito que ainda existe em relação aos costumes dos ciganos como a vida nômade, as atividades econômicas e o hábito de ler as mãos. “É um povo que a gente precisa conhecer um pouco da tradição e da cultura, porque o que se tem hoje é muito uma ideia estigmatizada, é muito do que existe no imaginário social. São ideias que marginalizam esse grupo”.
A cigana Lêda Coutinho vive com a família em um rancho em Camaçari. Ela participou da roda de conversas respondendo a perguntas sobre o cotidiano e as tradições do seu povo. Estudante de Direito, ela precisou superar as imposições culturais para estudar e casar com um homem não cigano. Na sociedade tradicional, Lêda e seus familiares sofrem na pele o preconceito.
“Eu mato um leão por dia pelo fato de ser mulher e ser cigana. Onde a gente passa vestida de cigana, se passa em frente a uma loja, as pessoas já olham achando que vamos roubar. Se tem uma criança, já ficam segurando na mão achando que a gente vai levar a criança embora, como se fôssemos marginais. Isso passa de séculos em séculos e não muda”, contou Lêda. “Ser cigano é um modo de vida, uma cultura, é ser diferente dentro de uma população”, acrescentou.
Repórter: Lina Magalí 

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